É necessário padecer de uma preocupante presbiopia para alguém, com elevada responsabilidade, vir dizer aos portugueses que "é necessário muito ânimo" para o País ultrapassar mais uma pouca-vergonha que os mesmos de sempre decidiram (outra vez?) protagonizar! Será que determinadas personalidades ainda não deram conta que o problema não está no muito ou pouco ânimo do paciente "rebanho" mas sim nos "pastores" que durante trinta e tal anos não souberam escolher os caminhos para os verdejantes "pastos" do bem-estar político, económico e social do "zé-pagante", porque envolvidos em mil e uma "ordenhas" que tiveram e tem, para além de muitas outras consequências, a descredibilização de uma fundamental máquina judicial que hoje mais parece um helvético "Emmental"? Uma vez mais, ao invés de se exigir uma séria e honrada conduta a todos aqueles que exercem cargos públicos e a célere aplicação da Justiça a quem por ela é responsável, opta-se pelo enraizado facilitismo do atirar grãos de areia para os olhos de todos, enquanto se espera que o tempo cumpra o seu providencial papel como meio privilegiado para atingir a "costumeira" declaração da virginal inocência. É inqualificável o acto de se continuar a sacrificar os "cordeiros" de sempre em benefício das saturadas "febres endémicas" do costume, mas pronto: para todos ficarmos bem na fotografia, vamos tomar de ânimo leve o ânimo pedido por sua Excelência o Presidente da República, relembrando-lhe que o País até tem tido demasiada disposição, excessivo sentido de humor e exagerada coragem para continuar a aturar toda uma trupe de prepotentes, adulterados e mal agradecidos "gestores"... e se é chegada a hora de pedir alguma coisa a alguém, que o peça a todos aqueles que tem infernizado e descredibilizado o pouco de bom que ainda, timidamente, vai sobrevivendo na sociedade: a esperança num Portugal melhor!
Seguindo a linha de pensamento de Henrique Medina Carreira, segundo a qual, face à ignorância dos actuais "actores", é urgente e necessária uma "fornada" de novos intervenientes no palco do "teatro da gestão nacional" com uma visão séria do presente e um concreto objectivo de futuro, acabamos por ser confrontados, inevitavelmente, com a interrogação sobre a forma como o Pais e os portugueses poderiam concretizar, afinal, tão cada vez mais abrangente e necessária vontade! Se a Justiça funcionasse, a renovação surgiria de uma forma natural, se calhar até por demais acelerada, diga-se de passagem e com alguma ironia, mas como não funciona nem se vislumbra no horizonte qualquer hipótese de tal vir a acontecer, não valerá a pena bater mais na "coisa", antes reduzi-la à inconsequência do facto que ela é. Por outro lado, e talvez o mais lógico, seria a mesma surgir por recriação das "companhias", mas como estas também não se regem, internamente, pelos mais basilares princípios da democracia, (nem se denotam prenúncios de que tal venha também a acontecer) não valerá a pena criar expectativas de onde, aliás, elas quase nunca vieram! Portanto, bem pode o "zé-povinho" ir mandando uns "bitaites" com mais ou menos descontentamento, revolta ou saturação (o abstencionismo eleitoral, o folclore "manifestatório" ou outra qualquer vingançazinha sobre a “geringonça” fiscal, por exemplo) que a coisa tende a arrastar-se, indefinidamente, até não se sabe muito bem quando. Assim, sem renovações e face ao triste “espectáculo” que para aí vai, resta aos portugueses, conscientes, o supremo prazer de se fazerem passar por idiotas (embora inteligentes) diante de uns… incapazes coordenadores de ideias e programas que a todo o momento se tentam passar por habilidosos eruditos (sic)!
Quando o País pensava que tinha uma estrutura moderna e "tecnologicamente" avançada em matéria de corrupção, ombreando de igual para igual com muitas outras grandes "potências" na matéria, eis que surge, como uma pedrada no charco, a "face oculta" de muitas conhecidas faces do panorama público nacional (e não só) associadas, pasme-se, a um bondoso, subtil e paciente negociante de ferro velho! Até nisto somos pequenos, sem ambição e sem a tão necessária visão de futuro que deveria estar alicerçada em "adamastoras" depravações e em "agigantados" subornos que não nos fizessem corar de vergonha, quer pela sua pequenez quer pelo ridículo da "coisa" que está na sua génese. E esta pequenez é de tal forma preocupante que até um antigo Procurador-geral da República teve necessidade de vir a terreiro lembrar que "afinal de contas a corrupção faz parte das sociedades desenvolvidos e Portugal não é, nem de perto nem de longe, um caso dos piores" (disse), pelo que daí se depreende que à que apostar convictamente e em força em tal "mercado" (sic)! Assim, ao invés de se criticar a conduta do Senhor Godinho, melhor seria era apoiá-la para que num curto espaço de tempo a sua pequena "lula" se transformasse num grande, imenso e infinito "polvo" capaz de ombrear com os maiores de que há história. Enfim: o caso não é para rir e como não é para rir... sejamos sérios! Ninguém é perfeito mas daí ao País ter de andar constantemente a ser confrontado, a toda a hora e a todo instante, com tanta imperfeição vinda sobretudo de todos aqueles que deviam ser impolutos exemplos de boas regras e maneiras, já é um tanto ou quanto saturante, não por eles, mas pelo descrédito cada vez mais alarmante da face visível da Justiça portuguesa... ela feita, sim, num gigantesco e confuso amontoado de inconsequente "sucata" legislativa!
Com a passagem à história da tomada de posse do XVIII Governo Constitucional, integrado pelos "Homens da Luta" de sempre, fica para a posteridade, apenas e só, o facto do anormal número de "espartanas" mulheres que os acompanham e das quais se espera (haja pelo menos esperança) uma lufada de ar fresco que faça esquecer os "pátuás" de ocasião dos muitos "Jels" e outros tantos "Falâncios" que há mais de trinta e tal anos a esta parte tem azucrinado, e de que maneira, os ouvidos e a paciência de toda a "populaça" da Nação. Depois de o Palácio da Ajuda (ironicamente ou não, sob as nuvens densas que adornam o "fresco" da abóbada da sua grande sala circular) ter servido de testemunha solene aos votos de lealdade por todos assumidos, resta ao País fazer por acreditar que é desta que qualquer "coisa" de positivo dali vai surgir, seja o bem-estar social e económico do "zé-povinho" seja (e já não seria pouco, saliente-se) a tão necessária credibilização de todo um sistema político e judicial que num constante crescendo de "faces ocultas" se vai arrastando, penosamente, pelas tristes ruas da angústia e do azedume. No entanto e levando à letra o ditado popular que "o que nasce torto tarde ou nunca se endireita", há que registar a postura de tal cerimónia ter sido fechada ao comum dos mortais (afinal de contas a razão de ser do ritual) o que à partida não deixa de ser um péssimo sinal de desconfiança e descrédito (sobre aquele grupo de bem parecidos funcionários públicos) por parte do tão martirizado e esquecido "zé-povinho". Enfim: pessimismos à parte vamos acreditar que todos estes ministros e ministras que agora subiram ao "poleiro", não tem outro intuito se não o de nos estenderem a mão... e fazer figas para não chegarmos à conclusão, “muí” brevemente, que não passavam todos, afinal, de mais uns ilustres "manetas" (sic)!
A Bíblia, enquanto livro "indigesto" para uns, monótono para outros e "decorativo" para muitos mais, compilador de dezenas de "crónicas" escritas não se sabe bem quando nem por quem (consta que foi elaborado ao longo de 1.600 anos pela "pena" de 40 indistintos marmanjos), está, na realidade, um tanto ou quanto desfasado dos ditames ditos civilizacionais que se vivem hoje, um pouco, em todas as sociedades do globo, talvez por culpa das suas mil e uma interpretações... ou, talvez, por a Igreja considerar a sua "versão" como a única basilar por todos a seguir, ordeiramente e em fila "pirilau" (sic). E se o dito livro, visto pelo prisma da actualidade, não passa disso mesmo (um instrumento de constante divagação), considerá-lo "um manual de maus costumes e um catálogo de crueldade do pior da natureza humana" é apenas e só a opinião de um eremita (polémico e fracturante) que sabe usar melhor que ninguém as mais apuradas técnicas de marketing para assinalar o lançamento de uma sua obra literária. Assim, e porque tudo se resume a isto, a uma bem orquestrada campanha publicitária de fazer inveja a muitos Edson's Athayde's, andar "meio mundo" a discutir com o outro meio num País que deveria ter mais com que se preocupar (cansado que está de tantos teólogos de cordel), é um tanto caricato visto que só uma minoria lê Saramago e os restantes o azucrinam, mais por exercício intelectual que por outra qualquer razão! Posto isto, resta a todos consolarem-se (nas "montras" da comunicação social) com o arremessar gratuito de ingénuas e descabidas "opinadelas" de ocasião sobre o que nem lembraria a um qualquer "deus vingativo, rigoroso e má pessoa"... e tudo, pasme-se, após uma sondagem ter indiciado que os portugueses nunca leram a totalidade de tal "calhamaço" (tirando 5% de madraços que, a muito custo, dizem ter atingido o êxtase profundo da "coisa"). Enfim!